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Date :  2002-02-06
Language :  Portuguese
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Fórum Social Mundial produz "calendário de resistência"


O 2º Fórum Social Mundial terminou sem um documento que reunisse todas as propostas, mais produziu um verdadeiro "calendário de resistência" contra o neoliberalismo e o militarismo. Alguns dos consensos do evento:

Organismos internacionais - Organização das Nações Unidas (ONU), Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI)terão que se adequar às novas feições da globalização. O Fórum concluiu que são omissos o caso da ONU na questão da paz ou equivocados no tratamento das questões dos países em desenvolvimento. A acusação mais ouvida: Bird e FMI defendem os interesses de grandes grupos, e não dos países que recorrem à ajuda internacional. O francês Dominique Plihon, dirigente da Ação pela Tributação das Transações financeiras em Apoio aos Cidadãos (Attac), defendeu o ponto de vista predominante: as instituições devem ser reformadas, e não extintas. Segundo ele, a extinção dos organismos atende muito mais ao desejo dos neoliberais.

Capital financeiro - A proposta de controle do movimento de capitais ganhou uma novidade no Fórum: que a Europa adote a Taxa Tobin em bloco, para que puxe um movimento mundial em favor do imposto. A Taxa Tobin, defendida desde 1972 pelo americano James Tobin, Prêmio Nobel de Economia, funcionaria como uma espécie de tributo sobre o capital especulativo. Evitaria movimentos especulativos drásticos como a fuga em massa de alicadores de um país em crise e teria sua arrecadação destinada a projetos sociais. Até agora, havia um consenso de que a taxa só funcionaria se todos os países a adotassem. Jean-Pierre Chevènement, candidato à presidência da França, defendeu, com outros integrantes da delegação do país, que a Europa assuma esse risco.

Água - Mais de 1,5 bilhão de pessoas ainda não têm acesso à água potável no mundo. Os debates sobre os serviços nessa área concluíram que há uma crescente "mercantilização" da água e que a privaização dos serviços deve ser evitada. Vandana Shiva, prêmio Nobel, lembrou que um movimento na Índia evitou a privatização do fornecimento. Também a ex-primeira-dama francesa Danielle Mitterrand defendeu que água é um bem essencial e deve ser mantido sob controle estatal. A Fundação Mário Soares, do ex-presidente português, é uma das ONGs envolvidas no esforço para criação do Parlamento Mundial da Água. E o dia 22 de março foi escolhido para a realização de ações em todo o mundo contra a privatização.

Aids - A política brasileira de combate a Aids é referência mundial e exemplo de como a mobilização da sociedade pode produzir bons resultados. Os programas de distribuição de remédios, tratamento de doentes e produção medicamentos com ações que contrariam os interesses dos grandes laboratórios foram reconhecidos na conferência sobre Medicamentos, Saúde e Aids. Mario Schaffer, da ONG Grupo pela Vida, observou que a mobilização de mais de 500 entidades a prevenção, muitas delas de homessexuais e prostitutas, sensibilizou o governo. Participantes da conferência defenderam que o Brasil seja um solidário mundial no combate à doença, exportando a tecnologia de prevenção e tratamento para a África.

Migrações - A globalização estimula, pelo menos em tese, a livre circulação de mercadorias, mas impõe cada vez mais restrições ao movimento de pessoas. Projetos de lei que ampliam essas restrições como um em debate no parlamento italiano transformam os imigrantes em cidadãos de segunda classe. Enquanto trabalhadores são deportados como clandestinos, crescem as máfias que traficam pessoas em todo o mundo. A professora Maria Lúcia Leal, da Universidade de Brasília, coordena uma pesquisa nacional sobre tráfico de mulheres. O trabalho oferecerá o primeiro mapeamento do comércio de pessoas especialmente para a prostituição no Brasil. Poderá auxiliar no enfrentamento do problema no Brasil e oferecer subsídios para que outros países participem da repressão ao tráfico de mulheres brasileiras, especialmente para a Europa.

Comércio mundial - A Área de Livre Comércio das Américas (Alca), liderada pelos Estados Unidos, foi condenada. O Fórum identificou a Alca como projeto consolidador da liberalização comercial que afeta os países mais pobres. Também a Organização Muncial do Comércio OMC), organismo de regulação das trocas comerciais, foi criticada por proteger os intereses dos países ricos e nada fazer contra protecionismo dessas nações. O tailandês Walden Bello deu o tom de uma idéia muito defendida em Porto Alegre: para que se enfrente a dependência de organismos reguladores ou financiadores, seria preciso fortalecer o poder local, regional e nacional. O localismo substituiria a preponderância das teses globais. O processo seria chamado de desglobalização.


Guerras - A ofensiva militar americana no Afeganistão foi duramente atacada. O sociólogo James Petras, da Universidade de Nova York, e o linguista Noam Chomsky resumiram um pensamento muito propagado no Fórum: os atentados terroristas de 11 de setembro serviram como pretexto para os EUA lançarem "uma nova ofensiva imperialista", para subordinar a Europa aos interesses americanos, ocupar bases militares na Ásia Central e, a pretexto de combater células terroristas na América Latina, aumentar sua presença na região. O ponto-chave desta ofensiva seria é a intervenção na Colômbia, por meio das medidas políticas e militares de combate ao narcotráfico com o Plano Colômbia. Foi defendida a criação do Tribunal Penal Internacional.

Não faltaram manifestações de solidariedade em relação ao povo palestino, por sua autodeterminação "frente à ocupação promovida pelo Estado israelense", a Cuba e ao Iraque, devido aos bloqueios econômicos contra os dois países.

Ambiente - Os debates propuseram uma nova ordem respeitosa ao ambiente, com preservação da biodiversidade, considerada patrimônio da humanidade.

Dívida externa - A declaração final do evento sugere o cancelamento da dívida externa dos país latino-americanos, considerando que "é ilegítima, injusta e fraudulenta".


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