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Date :  2006-03-20
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Cibercidade


Cibercidade

Source :  André Lemos


O termo Cibercidade (cyber city, digital city, digital village, cyborg city, village virtual, telecity...) abrange quatro tipos de experiências que relacionam cidades e novas tecnologias de comunicação e informação. Em primeiro lugar, e parece ter sido essa a origem do termo, entende-se por cibercidade projetos governamentais, privados e/ou da sociedade civil que visam criar uma representação na Web de uma determinada cidade. Cibercidade é aqui um portal com instituições, informações e serviços, comunidades virtuais e representação política sobre uma determinada área urbana. Um dos pioneiros foi o projeto “Digital Stad”, da cidade de Amsterdã, criado por uma organização civil e hoje transformada em entidade de utilidade pública. Nessa categoria há inúmeros projetos, como por exemplo Aveiro Digital em Portugal, Digital City Kyoto, Japão, Blacksburg, Virginia, EUA, ou Birmingham, Inglaterra.

Entende-se também, em segundo lugar, por cibercidade, experiências que visam criar infra-estrutura, serviços e acesso público em uma determinada área urbana como uma espécie de “test-bed”, ou projeto piloto, para o uso das novas tecnologias de comunicação e informação. Nesses casos, cria-se também portais que agregam informações gerais e serviços. No entanto, o objetivo principal é criar interfaces do espaço eletrônico com o espaço físico através de oferecimento de teleportos, telecentros, quiosques multimídia, e áreas de acesso e novos serviços com as tecnologias sem fio como smart phones e redes Wi-Fi.

Um terceiro tipo de cibercidade refere-se a modelagens 3D a partir de Sistemas de Informação Espacial (SIS, spacial information system e GIS, geographic information system) para criação de modelos e simulação de espaços urbanos. Esses modelos criados são chamados de “CyberCity SIS” e são sistemas informatizados utilizados para visualizar e processar dados espaciais de cidades. Essas CiberCidades SIS são representações espaciais de cidades reais a fim de ajudar no planejamento, servindo como instrumento estratégico do urbanismo contemporâneo.

Essas acepções do termo podem ser chamadas de “grounded cybercity” (Aurigi, Graham, 1998). Trata-se de projetos de cibercidade que refletem um espaço urbano tendo finalidades as mais diversas, desde a inclusão digital, passando pela consulta a bancos de dados, a criação de comunidades através de fóruns e chats, até a possibilidade de serviços de governo eletrônico e cibercidadania. Exemplos dessas cibercidades ancoradas em cidades reais são Issy les Moulineaux na França, Rete Cívica Iperbole, Bologna, na Itália ou City of Viena, Áustria.

Há uma quarta categoria, que podemos chamar de “cibercidades metafóricas”, formadas por projetos que não representam um espaço urbano real. Estes projetos são chamados por Augiri e Graham de “non-grounded cybercities”, cidades não enraizadas em espaços urbanos reais. Essas cibercidades são basicamente sites que visam criar comunidades virtuais (fóruns, chats, news, etc.) e que utilizam a metáfora de uma cidade para a organização do acesso e da navegação pelas informações. Nesse caso, não há uma cidade real, mas apenas a utilização da imagem e funções de uma cidade, como por exemplo Twin Worlds, V-Chat ou DigitalEE.

Em todas as acepções do termo, fica evidente que por cibercidade devemos compreender uma forte relação entre as cidade e as novas tecnologias de informação e comunicação. De forma mais genérica, e transcendendo a tipologia apresentada, cibercidades seriam cidades para as quais as infra-estruturas digitais já são uma realidade. Nesse sentido, todas as grandes metrópoles contemporâneas são cibercidades. Trata-se de um conceito que visa colocar o acento nas novas tecnologias de comunicação e informação em interface com o espaço urbano, seja para promover vínculo social, inclusão digital, informações aos cidadãos, produção de dados para a gestão do espaço, aquecimento das atividades políticas, culturais e econômicas. A cibercidade é a cidade da cibercultura.

A relação das cidades com redes técnicas e sociais não é um fato novo. Toda forma urbana configura-se a partir das mais diversas redes técnicas e sociais. Não se trata de uma nova cidade, ou da destruição das velhas formas urbanas, mas de reconhecer a instauração de uma dinâmica que faz com que o espaço e as práticas sociais sejam reconfiguradas com a emergência das novas tecnologias de comunicações e das redes telemáticas. As cibercidades passam a ser pensadas como formas emergentes do urbano na era da informação. O desafio é criar formas efetivas de comunicação e de reapropriação do espaço físico, reaquecer o espaço público, favorecer a apropriação social das novas tecnologias de comunicação e informação e fortalecer a democracia contemporânea com experiências de governo eletrônico e cibercidadania.

A cibercidade é a cidade mundial. A compressão espaço-temporal, característica das telecomunicações contemporâneas, significa que os custos de interação entre áreas geograficamente separadas estão em declínio, enquanto a capacidade de informação está crescendo de forma exponencial. Os grandes centros urbanos atuam como operadores e receptores privilegiados dos produtos da era da informação. As cibercidades podem ser consideradas cidades da informação, cidades transnacionais, centros de troca de informações digitais na economia mundial, cidades globais. Esta nova revolução na infra-estrutura urbana é uma das mais fundamentais mudanças no desenvolvimento das redes urbanas desde o começo do século passado. O resultado é o movimento em direção ao gerenciamento em tempo real e ao desenvolvimento das redes de infra-estrutura hiperconectadas.

Atualmente, as tecnologias sem fio têm causado novas transformações na mobilidade urbana e, consequentemente, novos desenhos das cibercidades. Estas entram na era da computação ubíqua, pervasiva (“pervasive computing”) com os celulares 3G, Wi-Fi, Wi-Max, RFID, bluetooth. Exemplos dessa nova estrutura estão sendo construídos em cidades como São Francisco, Nova York, Paris, Londres, Seul, Toronto, São Paulo. Estas metrópoles estão se tornando cibercidades “desplugadas”. A cibercidade transforma-se então em um “ambiente” generalizado de conexão, envolvendo o usuário em plena mobilidade, interligando máquinas, pessoas e objetos urbanos. Nas cidades contemporâneas, os tradicionais espaços de lugar (rua, praças, avenidas, monumentos) estão, pouco a pouco, se transformando em ambiente generalizado de acesso e controle da informação. A cibercidade contemporânea caminha para se transformar em um lugar de conexão permanente, ubíquo, permitindo mobilidade e troca de informação em qualquer lugar e em qualquer tempo.



(Outros artigos sobre esta mesma problemática, redigidos por outros autores, estão disponíveis neste site: Ciber-geração)


Bibliografia sobre o tema:

AURIGI, Alessandro, GRAHAM, Stephen, "The Crisis in the urban public realm", in in Loader, B.D. (ed.), Cyberspace Divide: Equally, Agency and Policy in the Information Society, London, Routledge, 1998.
CASTELLS, M., "The Rise of the Network Society", Volume I. The Information Age: Economy, society and culture, Oxford, Blackwell Publishers, 1996.
GRAHAM, S., The Cybercities Reader, London, Routledge, 2004.
GRAHAM, Stephen, MARVIN, Simon Telecommunications and the City, London, Routledge,1996.
LEMOS, A., Cibercidades. As cidades na cibercultura, RJ, E-Papers, 2004.
LEMOS, A., Cibercidade II. A cidade na sociedade da informação, RJ., E-Papers, 2005.
MITCHELL, W. J., Me ++. The cyborg self and the networked city, MIT Press, Cambridge, MA, 2003.
MITCHELL, William J., Software. E-Topia “urban life, jim – but not as we knou it”, Mit Press, Cambridge, MA. 2000.
PICON, A. La ville territoires de cyborgs, Les Editions de l’Imprimeur, 1998.
PUGLISI, L.P., Hyperachitecture. Spaces in the Electronic Age, Basel, Birkhäuser, 1999.
SASSEN, S., The Global City. New York, London, Tokyo, New Jersey, Princeton University Press, second edition, 2001.
TOWNSEND, A., Wired / Unwired " The Urban Geography of Digital Networks", PhD dissertation, MIT, September 2003.


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